~Casal feliz~ sentado grudadinho no banco da Liberdade
Lugar onde estavam um mês atrás ainda solteiros
Morador de rua verbalmente tenta lhes podar essa tal liberdade
Mas só ignoram e continuam seus beijos
Enquanto outro morador parece defendê-los
Instantes depois este lhes vêm
Pedindo desculpas pelo amigo agressivo
Se vai e logo volta
Dando ao ~casal feliz~ por ele nomeado
Uma rosa pra formalizar o pedido
Casal feliz sorri agradecido
Pois mal sabia tal morador de rua
Que estavam fazendo um mês juntinhos
E que, ao contrário do que se poderia imaginar
Neste um mês receberam de reação à sua relação
Muitos sorrisos.
Enfim, vamo lá:
isso aqui é prá
ao meu par falar
Obrigado pelos sorrisos causados,
compartilhados e irradiados
neste um mês
Principalmente em mim
e, óbvio, contigo...
E tenho dito.
Ei, garoto. Acorda. Desperta pro dia novo que chega de mansinho, e depois rasga retinas dantes em repouso, e que traz de volta a rotina, moço. Abre os olhos rasos de sono, frescos do ar da manhã. Enxerga todas as coisas do mundo daquele jeito só seu. Vê onde estás, vê tudo de bom que há na tua existência, sê grato por isso. Encara a vastidão do universo com o coração em punho. Encara a pequenez de tua metrópole com o mistério desse universo, "mostrando como és e sendo como podes". Sai de viagem de vez em quando, que amor há em todo lugar que você chamar de lar. Mas num esquece dos seus, quando numa rodopiada qualquer, numa roda de dança mundo afora, pensar em se quedar por ali. Requebra, garoto, que a vida é um eterno gingado daquilo que se tem na mão, na cabeça e no coração. E agora dorme, garoto: que amanhã o sol te chama de novo.
Tudo passa
Como a corredeira brava
Como a brisa leve
Como tudo
Que à vida embeleze.
As águas desse rio
cheio de percalços,
cheio de piscinas
d'olhos d'água
vão descendo
até chegar em seu salgado alento
e mesmo perdendo sua doçura,
vão mais prá-mundo-adentro
Sem ter mais onde chegar.
Tudo passa,
agora e sempre
É é efêmero,
é corrente
Se do bem ou do mal
depende da gente -
pequenas gotas d'água
nesse ciclo intransigente -
criar cor quando essa está carente
ser turbilhão em maresia
fazer de cada bom momento poesia
desfilar alegria
Ver refletida no lago de si a magia
que só vê quem o mundo sente
tal como ele é:
Vivo, pulsante, vibrante
como ondas de mar errantes.
Eu sofro por não escrever. Olho pro meu blog e penso: Tadinho, tá abandonado, sem nada postado por muitos meses. Eu penso no que já escrevi, e é isso que meio que me cobra a escrever mais. Mas sei lá, o processo de criação ainda é confuso pra mim. Geralmente eu sinto a inspiração vindo e escrevo, se assim for possível. Inclusive comecei a escrever porque um ex me incentivou, contando que guardava caneta e papel do lado da cama pra escrever essas coisas que vinham à cabeça quando vamos dormir, sabe? E deu super certo. E eu fico achando que só devo escrever assim - só quando vem aquela fagulha de inspiração. E fico numa de que só devo escrever poesia... mas a vida arrítmica também é bonita! Por que não o seria, então, o texto arrítmico? Bobagem minha. Tanto que meus dois posts mais lidos daqui são em prosa. A poesia tá meio fora de moda esses tempos, né? hahaha. Triste isso. Acho que me cobro poetisar meio que por isso, e meio que, por a beleza da palavra ficar mais explícita em poesia. Enfim, só vou deixar esses motivos aqui registrados, pra ver se eu escrevo mais em 2013. Em prosa ou em poesia, ouviu, Lisieux? O foda é que até escrever exige disciplina nessa vida. Esse também é um dos meus objetivos desse ano: descobrir a calma da disciplina, a leveza que a disciplina pode dar. Muitas vezes julgo que disciplina e gente disciplinada são sempre chatos, mas vejo que a ordenação que ela pode proporcionar, pode te fazer uma daquelas pessoas que são o contrários dessas chatas e super-disciplinadas: gente tranquila, em dia com sua vida, com suas obrigações chatas e suas obrigações boas, que podem sair pra ver a vida despreocupadamente com o dia seguinte. É, vejamos! O post de registro de alguns objetivos do ano passado deu certo. :D
[-Iluminações. Era disso que precisava. De pequenas epifanias. Daquelas que o faziam ver por cima de um problema X, uma situação ruim Y. Daquelas que lhe mostravam que talvez não fosse para tanto, que falavam pra não dar razão/vazão à alguma queixa outrora emudecida dentro do peito - não mais. Dessas iluminações que vêm do nada, numa tarde chuvosa em silêncio dentro do carro com amigos e Beirut tocando ao fundo, numa cidade distante com ares de Barroco - melhor dizendo, dessas iluminações que vêm da soma desses fatores acalentadores da alma. Dessas que, quando vinham, deixavam tudo fora de foco, para naquele momento existir somente ele mesmo, sua consciência, e a música que o levava para outro lugar além daquele espaço e tempo, para além daquela perspectiva soturna.]
Pensava ele, com as luzes da consciência em uso, com as luzes de pisca-pisca da vida sempre ligadas, com as luzes da imaginação voltadas para uma moça que dançava numa praça numa época distante, que girava, ou melhor, rodopiava, sem medo de viver e de ser vista, sem precisar de mais nada na vida a não ser estar ali, naquele momento, meio que congelada, meio que em loop, dando voltas e voltas de felicidade sobre si mesma - pois este era o motivo de sua existência na consciência dele. E, por que não, na dela?
♪ ...I'll sing of the walls of the well and the house at the top of the hill I'll
sing of the bottles of wine that we left on our old windowsill I'll sing of
the years you will spend getting sadder and older Oh love, and the cold, the
oncoming cold... ♫