sábado, 13 de dezembro de 2014

O nosso amor?


Nosso amor se enforcou
E agora tenho em minha boca um gosto amargo
Eu, que mal fumo um cigarro
Traguei mais que meus pulmões podiam aguentar

Nosso amor se sufocou
Meio assim, sem alarde
Como duas mãos que vêm na calada da tarde
No meio daquele cochilo gostoso
E nos tomam o pescoço de assalto

Nosso amor se afogou
E eu, que tomava muito menos porres
- de bebida e de amor
do que antes
Acordei atropelado -
pela ressaca,
não por um barco

Nosso amor se matou
E nós permanecemos
Mas, por milagre ou pela vida
em algum cantinho
ele ainda respira.
E perdido vai ficar
até que, se um dia,
o voltemos a procurar

O nosso amor?
Diz que foi por aí...

Lisieux Marc - 13/12/14

sexta-feira, 7 de março de 2014

Cheiro de Quero Mais

Chego em casa e procuro teu cheiro
Em minha camisa
Em meus lençóis
O acho, efêmero
mas não me desespero:
Logo mais tem mais de nós.


Lisieux Marc - 03/2014

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Crônica Fugidia

~Casal feliz~ sentado grudadinho no banco da Liberdade
Lugar onde estavam um mês atrás ainda solteiros
Morador de rua verbalmente tenta lhes podar essa tal liberdade
Mas só ignoram e continuam seus beijos
Enquanto outro morador parece defendê-los

Instantes depois este lhes vêm
Pedindo desculpas pelo amigo agressivo
Se vai e logo volta
Dando ao ~casal feliz~ por ele nomeado
Uma rosa pra formalizar o pedido

Casal feliz sorri agradecido
Pois mal sabia tal morador de rua
Que estavam fazendo um mês juntinhos
E que, ao contrário do que se poderia imaginar
Neste um mês receberam de reação à sua relação
Muitos sorrisos.

Enfim, vamo lá:
isso aqui é prá
ao meu par falar
Obrigado pelos sorrisos causados,
compartilhados e irradiados
neste um mês
Principalmente em mim
e, óbvio, contigo...
E tenho dito.




Lisieux Marc - 02/2014

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Do Sopro ou do Respirar?




Te trago pro meio disso tudo
Ou é você que vem
Do lado de cá do mundo
Da emoção, também

Trazes palavras bonitas
Faz-me encher o pulmão de ar
Parado à minha frente
tu me fitas...
Imagino se vais minha mão tomar

À ti apenas peço
que sejas sincero
E que em vão
Não me faças suspirar

Peito aberto é armadilha
pra passo em falso dar
E dos sopros da desilusão
meu coração
não quer mais se insuflar.

Lisieux Marc - Junho/13




"Meu coração
 já cansou de tanto choro derramar... ♫"

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

In-senso


À giz numa parede colaborativa provisória num bar no Santa Tereza. Se alguém ver por aí me conta... :D

terça-feira, 28 de maio de 2013

Acorda, Garoto

"Abre los ojos..."



Ei, garoto. Acorda. Desperta pro dia novo que chega de mansinho, e depois rasga retinas dantes em repouso, e que traz de volta a rotina, moço. Abre os olhos rasos de sono, frescos do ar da manhã. Enxerga todas as coisas do mundo daquele jeito só seu. Vê onde estás, vê tudo de bom que há na tua existência, sê grato por isso. Encara a vastidão do universo com o coração em punho. Encara a pequenez de tua metrópole com o mistério desse universo, "mostrando como és e sendo como podes". Sai de viagem de vez em quando, que amor há em todo lugar que você chamar de lar. Mas num esquece dos seus, quando numa rodopiada qualquer, numa roda de dança mundo afora, pensar em se quedar por ali. Requebra, garoto, que a vida é um eterno gingado daquilo que se tem na mão, na cabeça e no coração. E agora dorme, garoto: que amanhã o sol te chama de novo.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Correnteza


Tudo passa
Como a corredeira brava
Como a brisa leve
Como tudo
Que à vida embeleze.

As águas desse rio
cheio de percalços,
cheio de piscinas
d'olhos d'água
vão descendo
até chegar em seu salgado alento
e mesmo perdendo sua doçura,
vão mais prá-mundo-adentro
Sem ter mais onde chegar.

Tudo passa,
agora e sempre
É é efêmero,
é corrente
Se do bem ou do mal
depende da gente -
pequenas gotas d'água
nesse ciclo intransigente -
criar cor quando essa está carente
ser turbilhão em maresia
fazer de cada bom momento poesia
desfilar alegria
Ver refletida no lago de si a magia
que só vê quem o mundo sente
tal como ele é:
Vivo, pulsante, vibrante
como ondas de mar errantes.

Lisieux Marc

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Escreve, arritmeia, disciplina!

Eu sofro por não escrever. Olho pro meu blog e penso: Tadinho, tá abandonado, sem nada postado por muitos meses. Eu penso no que já escrevi, e é isso que meio que me cobra a escrever mais. Mas sei lá, o processo de criação ainda é confuso pra mim. Geralmente eu sinto a inspiração vindo e escrevo, se assim for possível. Inclusive comecei a escrever porque um ex me incentivou, contando que guardava caneta e papel do lado da cama pra escrever essas coisas que vinham à cabeça quando vamos dormir, sabe? E deu super certo. E eu fico achando que só devo escrever assim - só quando vem aquela fagulha de inspiração. E fico numa de que só devo escrever poesia...  mas a vida arrítmica também é bonita! Por que não o seria, então, o texto arrítmico? Bobagem minha. Tanto que meus dois posts mais lidos daqui são em prosa. A poesia tá meio fora de moda esses tempos, né? hahaha. Triste isso. Acho que me cobro poetisar meio que por isso, e meio que, por a beleza da palavra ficar mais explícita em poesia. Enfim, só vou deixar esses motivos aqui registrados, pra ver se eu escrevo mais em 2013. Em prosa ou em poesia, ouviu, Lisieux?  O foda é que até escrever exige disciplina nessa vida. Esse também é um dos meus objetivos desse ano: descobrir a calma da disciplina, a leveza que a disciplina pode dar. Muitas vezes julgo que disciplina e gente disciplinada são sempre chatos, mas vejo que a ordenação que ela pode proporcionar, pode te fazer uma daquelas pessoas que são o contrários dessas chatas e super-disciplinadas: gente tranquila, em dia com sua vida, com suas obrigações chatas e suas obrigações boas, que podem sair pra ver a vida despreocupadamente com o dia seguinte. É, vejamos! O post de registro de alguns objetivos do ano passado deu certo. :D