"Abre los ojos..."
Ei, garoto. Acorda. Desperta pro dia novo que chega de mansinho, e depois rasga retinas dantes em repouso, e que traz de volta a rotina, moço. Abre os olhos rasos de sono, frescos do ar da manhã. Enxerga todas as coisas do mundo daquele jeito só seu. Vê onde estás, vê tudo de bom que há na tua existência, sê grato por isso. Encara a vastidão do universo com o coração em punho. Encara a pequenez de tua metrópole com o mistério desse universo, "mostrando como és e sendo como podes". Sai de viagem de vez em quando, que amor há em todo lugar que você chamar de lar. Mas num esquece dos seus, quando numa rodopiada qualquer, numa roda de dança mundo afora, pensar em se quedar por ali. Requebra, garoto, que a vida é um eterno gingado daquilo que se tem na mão, na cabeça e no coração. E agora dorme, garoto: que amanhã o sol te chama de novo.
Meu jeito de exaltar em palavras tudo aquilo que o mundo ousa por vezes relevar. O azul do mundo visto através dos meus olhos.
terça-feira, 28 de maio de 2013
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Correnteza
Tudo passa
Como a corredeira brava
Como a brisa leve
Como tudo
Que à vida embeleze.
As águas desse rio
cheio de percalços,
cheio de piscinas
d'olhos d'água
vão descendo
até chegar em seu salgado alento
e mesmo perdendo sua doçura,
vão mais prá-mundo-adentro
Sem ter mais onde chegar.
Tudo passa,
agora e sempre
É é efêmero,
é corrente
Se do bem ou do mal
depende da gente -
pequenas gotas d'água
nesse ciclo intransigente -
criar cor quando essa está carente
ser turbilhão em maresia
fazer de cada bom momento poesia
desfilar alegria
Ver refletida no lago de si a magia
que só vê quem o mundo sente
tal como ele é:
Vivo, pulsante, vibrante
como ondas de mar errantes.
Lisieux Marc
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Escreve, arritmeia, disciplina!
Eu sofro por não escrever. Olho pro meu blog e penso: Tadinho, tá abandonado, sem nada postado por muitos meses. Eu penso no que já escrevi, e é isso que meio que me cobra a escrever mais. Mas sei lá, o processo de criação ainda é confuso pra mim. Geralmente eu sinto a inspiração vindo e escrevo, se assim for possível. Inclusive comecei a escrever porque um ex me incentivou, contando que guardava caneta e papel do lado da cama pra escrever essas coisas que vinham à cabeça quando vamos dormir, sabe? E deu super certo. E eu fico achando que só devo escrever assim - só quando vem aquela fagulha de inspiração. E fico numa de que só devo escrever poesia... mas a vida arrítmica também é bonita! Por que não o seria, então, o texto arrítmico? Bobagem minha. Tanto que meus dois posts mais lidos daqui são em prosa. A poesia tá meio fora de moda esses tempos, né? hahaha. Triste isso. Acho que me cobro poetisar meio que por isso, e meio que, por a beleza da palavra ficar mais explícita em poesia. Enfim, só vou deixar esses motivos aqui registrados, pra ver se eu escrevo mais em 2013. Em prosa ou em poesia, ouviu, Lisieux? O foda é que até escrever exige disciplina nessa vida. Esse também é um dos meus objetivos desse ano: descobrir a calma da disciplina, a leveza que a disciplina pode dar. Muitas vezes julgo que disciplina e gente disciplinada são sempre chatos, mas vejo que a ordenação que ela pode proporcionar, pode te fazer uma daquelas pessoas que são o contrários dessas chatas e super-disciplinadas: gente tranquila, em dia com sua vida, com suas obrigações chatas e suas obrigações boas, que podem sair pra ver a vida despreocupadamente com o dia seguinte. É, vejamos! O post de registro de alguns objetivos do ano passado deu certo. :D
domingo, 14 de outubro de 2012
Das iluminações.
[-Iluminações. Era disso que precisava. De pequenas epifanias. Daquelas que o faziam ver por cima de um problema X, uma situação ruim Y. Daquelas que lhe mostravam que talvez não fosse para tanto, que falavam pra não dar razão/vazão à alguma queixa outrora emudecida dentro do peito - não mais. Dessas iluminações que vêm do nada, numa tarde chuvosa em silêncio dentro do carro com amigos e Beirut tocando ao fundo, numa cidade distante com ares de Barroco - melhor dizendo, dessas iluminações que vêm da soma desses fatores acalentadores da alma. Dessas que, quando vinham, deixavam tudo fora de foco, para naquele momento existir somente ele mesmo, sua consciência, e a música que o levava para outro lugar além daquele espaço e tempo, para além daquela perspectiva soturna.]
Pensava ele, com as luzes da consciência em uso, com as luzes de pisca-pisca da vida sempre ligadas, com as luzes da imaginação voltadas para uma moça que dançava numa praça numa época distante, que girava, ou melhor, rodopiava, sem medo de viver e de ser vista, sem precisar de mais nada na vida a não ser estar ali, naquele momento, meio que congelada, meio que em loop, dando voltas e voltas de felicidade sobre si mesma - pois este era o motivo de sua existência na consciência dele. E, por que não, na dela?
♪ ...I'll sing of the walls of the well and the house at the top of the hill
I'll sing of the bottles of wine that we left on our old windowsill
I'll sing of the years you will spend getting sadder and older
Oh love, and the cold, the oncoming cold... ♫
domingo, 30 de setembro de 2012
Podia estar, sim, chovendo.
"Eu sei que lá no fundo
Há tanta beleza no mundo..."
Podia estar, sim, chovendo
Podia estar a noite, sim, caindo
Podia estar assim, o vento
Podia estar eu, sorrindo
Nessa noite de segunda-feira
Que, semana-a-semana,
como mosca varejeira
Insiste em trazer de volta meu desalento
Dessa morna vida,
desse dia-a-dia
Desses fantasmas da alegria
Dessa constante maresia.
Prá purificar a alma,
como incenso
Pra levar embora,
todo esse tormento...
Podia, sim, estar chovendo.
Lisieux Marc
sábado, 7 de julho de 2012
Boa Noite.
E ainda hoje sentia saudade
Daquele Boa Noite, cheio de mimos
que lhe fazia sentir que tudo na vida
tinha sentido,
que tudo daria certo
E que ele nunca estaria sozinho.
Boa Noite
que abarcava seu mundo
Que fazia dele sonho profundo
do qual nunca acordar queria.
Mas toda primavera
tinha seu período quente,
seu momento cinza
e seu balde d'água fria -
disso ele bem sabia.
E após tanto tempo
que aqueles Boa Noites se foram
O que ele queria mesmo
Era voltar a pisar flores de novo
A dar a mão pela planície primaveril.
Por esse dia anseava
em seu oceano azul,
em seu céu anil.
Por aquela maresia,
por aquele Bom Dia
por aquele frenesi
Que, ao despertar, lhe dizer faria:
-Meu mundo, moço?
É este daqui.
Lisieux Marc.
Daquele Boa Noite, cheio de mimos
que lhe fazia sentir que tudo na vida
tinha sentido,
que tudo daria certo
E que ele nunca estaria sozinho.
Boa Noite
que abarcava seu mundo
Que fazia dele sonho profundo
do qual nunca acordar queria.
Mas toda primavera
tinha seu período quente,
seu momento cinza
e seu balde d'água fria -
disso ele bem sabia.
E após tanto tempo
que aqueles Boa Noites se foram
O que ele queria mesmo
Era voltar a pisar flores de novo
A dar a mão pela planície primaveril.
Por esse dia anseava
em seu oceano azul,
em seu céu anil.
Por aquela maresia,
por aquele Bom Dia
por aquele frenesi
Que, ao despertar, lhe dizer faria:
-Meu mundo, moço?
É este daqui.
Lisieux Marc.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Extro-intro-versão
Ninguém liga
Ninguém fala
Ele cala
Ninguém avisa
Ninguém importa
Ele cala
Ninguém pergunta
Ninguém assunta
Ele cala
Ninguém deixa de falar
Ninguém deixa de importar
Ninguém deixa de ouvir
Ele repensa.
Ele fechado,
Ele calado...
Ele:
Errado.
Ninguém fala
Ele cala
Ninguém avisa
Ninguém importa
Ele cala
Ninguém pergunta
Ninguém assunta
Ele cala
Ninguém deixa de falar
Ninguém deixa de importar
Ninguém deixa de ouvir
Ele repensa.
Ele fechado,
Ele calado...
Ele:
Errado.
sábado, 3 de março de 2012
Sou nau.
Sou nau que navega em mar aberto
Nau que navega por seu oceano predileto
Sou nau que navega pela vida
Buscando nela igualidra
Sou nau.
Nau que busca por um sentido
Por um lugar seguro, um motivo
Sou nau que pela vida anda perdida
Mas é esta perca, encontro.
De mundos e oceanos
De vidas e de planos
Da alegria de cada dia
Sou nau da vida.
Vida de enganos,
Erros mundanos.
Vida de maresia,
Fantasia.
Sou nau que navega pela vida
E que sabe que porto seguro
é onde quiser que seja.
Sou nau que pelas tempestades passa,
Esbraveja
Nau que resiste às águas quebrantadas
Às marés desenluaradas
Aos dias à deriva
Sou nau que companheiras naus tem,
Naus amigas.
Sou nau por tudo e sou nau por isso.
Sou nau sem aviso.
Sou nau num oceano de amor e de belezas
Sou nau. Tenho certeza.
Nau que navega por seu oceano predileto
Sou nau que navega pela vida
Buscando nela igualidra
Sou nau.
Nau que busca por um sentido
Por um lugar seguro, um motivo
Sou nau que pela vida anda perdida
Mas é esta perca, encontro.
De mundos e oceanos
De vidas e de planos
Da alegria de cada dia
Sou nau da vida.
Vida de enganos,
Erros mundanos.
Vida de maresia,
Fantasia.
Sou nau que navega pela vida
E que sabe que porto seguro
é onde quiser que seja.
Sou nau que pelas tempestades passa,
Esbraveja
Nau que resiste às águas quebrantadas
Às marés desenluaradas
Aos dias à deriva
Sou nau que companheiras naus tem,
Naus amigas.
Sou nau por tudo e sou nau por isso.
Sou nau sem aviso.
Sou nau num oceano de amor e de belezas
Sou nau. Tenho certeza.
Assinar:
Postagens (Atom)

